Você valoriza seu trabalho?

Estava em uma comunidade de design gráfico no facebook quando me deparei com a publicação sobre a desvalorização da área. Infelizmente, parece que apagaram o post, pois não achei mais.

 

O rapaz trouxe uma discussão que achei muito interessante. E por isso gostaria de discutir isso aqui, com vocês, pois é algo que venho pensando muito nos últimos meses.

 

Ele comparou a profissão de médico e designer. Realmente é uma comparação difícil, já que o médico efetivamente salva vidas. Creio que médico só pode ser comparado a bombeiro. Mas seu argumento foi brilhante.

 

Ele disse que o design está em tudo a volta do médico, na identidade do hospital, nos blocos de receituário, e pensando por esse lado todo o equipamento que ele usa, o computador, seu jaleco, etc. Tudo foi pensado por um designer.

 

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E vocês já pensaram nisso? Como o design está em tudo e em todo o momento na vida das pessoas? Isso também me faz refletir sobre o motivo da área ser desvalorizada, já que era usada por toda a sociedade.

 

Essa desvalorização é causada por diversos motivos.

 

No lado do cliente, ele vê o design gráfico como algo supérfluo, por ele não trazer nada diretamente. “Como assim?” – Eu digo isso realmente de forma direta. Ele não é responsável por aumentar as vendas, ele não é responsável por uma compra recorrente, ele não é responsável pela pessoa comprar mais… Isso tudo porque é muito difícil mensurar matematicamente o retorno do design.

 

E isso faz com que o cliente pense em investir em outras coisas que trarão retorno direto. Para ele investir em design, há um tempo de maturação do empreendedor. Pois sempre há um amigo, que é muito bom em vendas, que consegue faturar muito com o logo feito pelo “sobrinho”.

 

No lado do designer também há grande desvalorização da área. “Como assim?” – É complicado, mas é verdade. Os designers, e publicitários, adoram falar mal e zoar a própria área e seus clientes. Isso é um tema que inclusive alguns designers falam, que não devemos nos desvalorizar.

 

Coisa que não vejo os médicos fazendo. E com certeza eles têm muitas dificuldades, atendem vários casos que não são nada, ou pessoas que fazem tudo errado, mas não vemos eles divulgando isso nas redes sociais. Essa desvalorização é transmitida para o cliente, mesmo que inconsciente.

 

No lado da sociedade podemos vemos a desvalorização por ser algo de “fácil” aprendizado. O adolescente curioso em seu computador consegue aprender a mexer nos programas, e isso faz com que a sociedade pense que é algo que não precisa de uma real especialização.

 

Vejo muito isso nessa onda dos APPs. Quantos aplicativos não há para que pessoas “comuns” possam fazer suas próprias artes? Eu conheço inúmeras, e cada uma para situações específicas do design.

 

Vejo muitas pessoas querendo saber como fazer, querendo ter algo parecido com o que você faz, mas esperando uma solução milagrosa como um aplicativo.

 

“Tá, mas e agora?” – A real qualidade do designer não está em conseguir fazer, mas sim em conseguir fazer algo tão “Phoda!”.

 

Eu vejo que hoje, que com os “sobrinhos” e os aplicativos, o cliente vê que tem outras maneiras de fazer o logotipo, o folheto e o site. Por isso você deve mostrar para ele que design vai além do material em si, que tem coisas que apenas bons designers conseguem fazer.

 

Ou seja, na minha opinião o melhor jeito de mostrar a sua real qualidade é fazendo excelentes projetos.

 

Para mim há dois principais modos de vender:

 

1. Convencer a pessoa na conversa

Infelizmente nem eu, nem muitos dos designers, tem essa habilidade.

 

2. Mostrando como o produto é bom

Nesse caso, a compra é feita pelo cliente, você apenas mostra o real benefício do seu produto, se diferencia do mercado.

Diretor de Arte, atualmente na Publicis de Lisboa. Veio trabalhar na terra do Pastel de Belém em meados de 2015. Antes disso vivia em São Paulo, onde passou por agências legais como AlmapBBDO e F/Nazca Saatchi&Saatchi. Foi selecionado como Young Lions para representar Portugal em Cannes Lions 2016.

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