O que aprendi com Alexandre Wollner

Assisti o documentário realizado pelo André Stolarski “Alexandre Wollner e a Formação do Design Moderno no Brasilonde Wollner, que é um dos grandes designers gráficos do Brasil, fala sobre o design gráfico e suas opiniões. Achei o documentário muito rico em informações e inspirações da área.

Design é projeto, design não é ilustração

Ele explica que uma capa de livro por exemplo não é design gráfico, é uma ilustração, uma arte. O design de um livro seria projetar o livro como objeto, fazer os tipos de letras adequados, usar o papel adequado, usar a tipografia adequada, usar o formato adequado, etc. Ele explica que o que torna design é a preocupação com a função.

Não significa que a arte feita para a capa do livro seja ruim, apenas ele considera que não é design. E esse pensamento faz com que pensemos em como podemos tornar o nosso trabalho mais funcional.

O exemplo que ele mostra para explicar esse conceito é uma linha de sabão em pó feita pelo designer karl Gerstner.

Print

Processo de criação

Ele explica como costuma ser seu processo de criação para uma identidade visual. Primeiro ele analisa as relações de significados possíveis para a empresa e analisa também todo enfoque da empresa, o que busca, quais os problemas, etc. Depois de sofrer com a angústia da falta de ideia, coloca uma música que goste e começa a rabiscar no papel algumas possibilidades. Essas possibilidades ele coloca na parede para que possa visualizar os estudos que fez.

Depois de fazer vários estudos, ele vai jogando fora os que são ruins, alterando os que tem potencial.. e assim uma solução vai se formando. Só quando finalmente define o caminho é que vai para o computador. Onde ele facilitá desenhar mais de forma mais técnica e precisa. Quando a marca está pronta ele começa a fazer o manual de aplicações e usos. E novamente ele pode revisitar a marca para ajustes. Concluindo assim o projeto.

alexandre-wolner8

Motivos para o design

Outra coisa que ele fala ao longo do documentário é sobre os significados de cada um. Tudo foi desenvolvido pensando nos detalhes e nos motivos de sua forma, cor e estrutura.

Como por exemplo Eucatex. Que por ser uma empresa de ambiente que se preocupa muito com o lado acústico, ele desenvolveu um logotipo inspirado na orelha e também nos labirintos onde o som se propaga de forma específica.

 

Ele inclusive fala que da forma como o design deve ser feito o cliente pode não aceitar, mas não consegue dizer “eu gosto” ou “eu não gosto”. Isso por causa dos significados e motivos para a construção do projeto. Tudo faz sentido e deixa de ser apenas uma questão estética.
É muito interessante ver ele falando dos seus projetos e seus significados.

Diretor de Arte, atualmente na Publicis de Lisboa. Veio trabalhar na terra do Pastel de Belém em meados de 2015. Antes disso vivia em São Paulo, onde passou por agências legais como AlmapBBDO e F/Nazca Saatchi&Saatchi. Foi selecionado como Young Lions para representar Portugal em Cannes Lions 2016.

1432