4 motivos para ter Paul Rand como uma referência

Não faz muito tempo que conheci Paul Rand, quando me mostraram seus trabalhos pensei “como demorei tanto tempo para conhecê-lo?”. Um dos designers americanos mais conhecidos e respeitados no mundo todo. Eu gosto de compará-lo como sendo o Jack Kirb do design.

 

Desde então ele se tornou uma grande referência para mim, por isso gostaria de falar os quatro motivos que fazem dele essa grande referência.

 

 

Em 1936, teve a oportunidade de fazer a arte de uma página interna da edição de aniversário da revista Apparel Arts (atual GQ). Ficaram tão impressionados com o talento de Rand, que ofereceram à ele um emprego em tempo integral como diretor de arte na editora. Ele recusou a oferta pois achava que não estava no nível do trabalho necessário.

 

 

O fato de ele ter recusado por achar que deveria aprender mais já seria suficiente para justificar um dos motivos, mas o primeiro motivo para ele ser uma grande referência para mim vem com o fato de ele, depois de um ano, ter aceitado a oferta. Com 23 anos de idade ele assume o cargo e começa a fazer artes muito interessantes para as páginas de moda da editora Esquire-Coronet.

 

Motivo #1 – Arte Editorial

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Mas ele se tornou mundialmente conhecido por causa das identidades visuais que desenvolveu para as empresas nas décadas de 1950 e 1960. Ele desenvolveu uma habilidade incrível de vender o projeto de identidade explicando as necessidades que seriam solucionadas para a corporação. O designer Louis Danziger disse que Rand, praticamente sozinho, foi responsável por mostrar ao mercado como uma boa identidade é uma ferramenta eficaz, fazendo com que qualquer projeto nessas décadas deve-se muito a ele.

 

Motivo #2 – Identidades Visuais

 

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O terceiro motivo é um poster que é, ou deveria ser, uma referência de cabeceira de todo designer. Em 1981, Rand criou o poster Eye-Bee-M, para a IBM. Uma desconstrução brilhante do logo que o reforça ainda na mente de quem vê.

 

Motivo #3 – Desconstrução do logotipo da IBM

 

 

Mas o motivo mais forte que faz com que ele seja uma grande referência para mim, é a famosa história da lição que ele deu a Steve Jobs.

 

Na época Jobs havia sido demitido da Apple e estava desenvolvendo a NeXT. A Apple gastou muito dinheiro para associar a marca com a qualidade dos seus produtos, e o desafio era como fazer a mesma associação com a NeXT sem gastar tanto dinheiro. Resolveu então chamar Paul Rand, que já era muito conhecido na época, para desenvolver a identidade da empresa.

 

Em uma entrevista antiga, Jobs conta como foi trabalhar com e o que aprendeu com Rand. Ele relata que Rand sugeriu que o elemento principal fosse o cubo, pois era o formato do computador da NeXT. Jobs, que adorou a ideia, pediu para que fizesse algumas opções de logotipo.

 

Rand então respondeu “Não, eu irei resolver o seu problema e você irá me pagar. E se você não usar a solução, e quiser outras opções, vá falar com outras pessoas. Mas eu irei resolver o seu problema da melhor maneira, e se você usar ou não, deverá me pagar.”

 

Motivo #4 – Valorização do designer

 

 

Não só Steve Jobs ficou satisfeito com sua solução como anos depois o chamou de “O maior designer gráfico vivo”.

 

Diretor de Arte, atualmente na Publicis de Lisboa. Veio trabalhar na terra do Pastel de Belém em meados de 2015. Antes disso vivia em São Paulo, onde passou por agências legais como AlmapBBDO e F/Nazca Saatchi&Saatchi. Foi selecionado como Young Lions para representar Portugal em Cannes Lions 2016.

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